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Jornalismo não levado à sério

Beat on you

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por Graziela Natasha Massonetto e Renata Loreta Lobo Melo

 

O movimento beat e sua originalidade

O Movimento Beat, ou Beat Generation surgiu primeiramente no final dos anos 40 nos EUA, e foi idealizado por um grupo de jovens intelectuais americanos, como escritores, poetas, dramaturgos e boêmios. O objetivo do movimento era constituir uma literatura mais perto da realidade, uma poesia mais urbana e um estilo de escrever exclusivo, diferente de qualquer outra parte do mundo. Seus principais expoentes foram Allen Ginsberg – O uivo (Howl, 1956) e Kaddish (1960), Jack Kerouac com Pé na estrada (On the Road, 1957), William Burroughs – Junkie (1953) e O Almoço nu (The Naked Lunch, 1959), Gregory Corso – “Marriege” (1960), Gary Snyder – Riprap (1959).   

Kerouac

Kerouac

 O termo Beat passou a existir no período da Segunda Guerra Mundial, e seu significado tinha diversas conotações negativas, como por exemplo, “cansado”, “por baixo” ou “de fora”, mas o principal ícone do movimento, Jack Kerouac, deu significados mais positivos à palavra como, Beatutide e fez também uma associação musical com as batidas do jazz.

 Para Allen Ginsberg “ser beat é ter uma percepção abrangente e uma percepção particular e real da natureza das coisas”. Já para John Clellon Holmes, ser beat é “despir a mente e a alma, optar por reduzir-se ao que é mais básico, no lugar de aceitar a visão convencional de uma América complacente, próspera e homogênea”.

 O início da Beat Generation foi marcado por um recital gratuito na Six Gallery, que ficava perto dos guetos da cidade de San Francisco. O público presente era composto por negros, latinos e imigrantes. Os poemas eram de cunho político e contestador com relação aos acontecimentos da época (EUA no pós-guerra).  Esse evento deu abertura para sucederem novas manifestações. Segundo Gary Snyder, “tivemos a nítida sensação de termos alcançado uma liberdade de expressão, termos nos libertados da Universidade que tanto sufocava os poetas, indo além da tediosa e inútil discussão sobre Bolchevistas versus o Capitalismo que tanto esvaziava a imaginação de muitos intelectuais do mundo”.

 No entanto nesse mesmo momento os EUA viviam uma paranóica comunista, que estava ligada ao contexto de Guerra Fria, e assim, a censura passou a proibir diversos livros que eram considerados subversivos, comunistas e até antiamericanos. Muitas das obras dos autores beats foram a júri, os processos eram divulgados pela imprensa, o que tornava o termo movimento beat cada vez mais conhecido em todo o país, embora poucas pessoas realmente sabiam do que se tratava.

Gary Snyder

Gary Snyder

Em 1958, foi criado outro termo para designar essa geração, era o: Beatnik. O termo foi criado pelo jornalista Herb Caen, do jornal San Francisco Chronicle. O nome fazia menção ao satélite lançado naquela época pela Russia, Sputnik. O que dava à manifestação um caráter de provocação e realmente subversivo naquele momento, uma vez que Rússia e EUA simbolizavam uma antítese entre comunismo e capitalismo.

Com o tempo Beat se tornaria, não só, um estilo literário, apenas apara escrita, mas também era considerado um estilo de vida. A linguagem que o movimento pregava chegou as telas do cinema no filme “Juventude Transviada”. As músicas sofriam influência de grandes estrelas do rock, como por exemplo, Elvis Presley. Sendo que os livros do movimento viriam, mais tarde, influenciar músicas de Pink Floyd, Beatles e Bob Dylan.

Neal Cassady

Neal Cassady

Na próxima década a Geração Beat iria abrir caminhos para a contracultura dos anos 60, na qual muitos Beatnik se tornariam Hippies. Até mesmo o nome Hippie é uma abreviação do termo hipster, muito utilizado por Jack Kerouac em seus livros.

 
Então fica claro que o Movimento Beat foi o precursor para os movimentos contracultura que viriam a surgir mais tarde, dando origem aos hippies (descentes dos beatniks) e até aos punks. Mondando assim um novo modo de fazer revolução, questionar e reivindicar seus direito, a partir deles a história tomou um novo rumo.
 
William Burroughs

William Burroughs

 O ícone do Movimento Beat: Jack Kerouac

Jean Louis Lebris de Kerouac, nasceu em 12 de março de 1922, em Massachusetts. Era de origem franco-canadense, um garoto tímido que em nada parecia com o andarilho dos registros do seu livro mais conhecido, On the Road.

Foi só aos seis anos que Kerouac aprendeu o inglês, antes só falava joual, um dialeto franco-canadense.

Ele estudou em um colégio jesuíta, onde fez parte do time de futebol americano para conseguir uma bolsa de estudos na faculdade. Conseguiu entrar na Universidade de Columbia, mudando-se com toda a família para Nova Iorque. Lá conheceu seus amigos que mais tarde o acompanhariam em suas andanças pelo país, Allen Ginsberg e William Burroughs e Neal Cassady.

A amizade com Cassady foi decisiva para Kerouac decidir colocar o pé na estrada. Juntos, viajaram por sete anos, percorrendo a rota 66, saíram de Nova Iorque e foram até São Francisco. Dessa aventura originou-se On the Road, escrito em 1951, obra considerada a “bíblia da geração beat”. Seu protagonista é Dean Moriarty, pseudônimo criado para representar seu amigo Cassady.

Kerouac inovou a literatura americana, pois “empenhou-se em forjar uma nova prosódia, capturando a sonoridade das ruas, das planícies e das estradas dos EUA, disposto a libertar a literatura norte-americana de determinadas amarras acadêmicas e de um certo servilismo a fórmulas européias (Eduardo Bueno, prefácio de “On the Road”, ed. L&PM, p.11). Sua escrita foi marcada pelo som que introduzia à prosa, cheia de vogais, produzindo uma rima insidiosa. A versão original do livro foi escrita num rolo de papel telex, quarenta metros sem interrupção de escrita por parágrafos, espaços ou virgulas. Apesar do “livro” ter sido escrito em apenas três semanas, demorou seis anos para ser publicado, devido às recusas das editoras. Quando finalmente a editora Viking Press aceitou publicar o trabalho de Kerouac, obrigou o autor a omitir 120 páginas do original, sendo que o editor, Malcolm Cowley, teve que organizar parágrafos, colocar virgulas e pontos finais e separar a história em capítulos, o que tira a espontaneidade que o autor tanto buscou, espontaneidade alcançada em seu livro “Visions of Cody”(lançado pela ed. L&PM no Brasil este mês).

O uso de drogas por Kerouac e seus amigos era comum, sendo que vários escritos de Kerouac foram feitos ao efeito de analgésicos e benzedrina.

Antes do sucesso de seu principal livro, o próprio Kerouac admitiu que fracassara em tudo na vida, porém após alcançar o sucesso, sentiu-se atormentado. De acordo com as palavras de sua namorada na época, Joyce Johnson, “ele estava agitado e com medo, ele também sentia que teria de viver para sua imagem pública, pois todos esperariam que ele fosse como Dean Moriarty ou Neal Cassady, mas ele era só Jack Kerouac”.

Casou-se duas vezes, mas ambos os casamentos acabaram depois de poucos meses de convivência. Mais tarde, casa-se com Stella Sampas, com quem anos mais tarde retorna à casa da mãe.

Em 1958, ele começa a se interessar por budismo, escrevendo o livro com fortes inspirações budistas “The Dharma Bums”, que narra uma escalada que fez com o poeta Gary Snyder.

Foi nessa época que Kerouac se isolou do convívio humano. Em uma atitude extrema, ficou sozinho em uma colina por longos dias, sem nenhuma comodidade como água quente e luz elétrica. Nesses dias solitários, consumia muita bebida alcoólica, sofrendo de alucinações, fato que foi relatado em “Big Sur”, de 1962.

Após essa experiência, ele foi para a casa de sua mãe, voltou a morar com ela em Long Island, afogando-se no conservadorismo católico dela. Em 21 de outubro de 1969, aos 47 anos,  morre de cirrose hepática, a bebida havia se tornado um grande problema em sua vida sedentária após decidir viver em reclusão.

O fluxo ininterrupto de sua “avalanche de palavras, imagens, promessas, ofertas, visões e descobertas”, segundo Eduardo Bueno, tornaram “On the Road” não um livro para apenas um geração, mas para várias gerações. O livro influenciou de Bob Dylan a Jim Morrison, sendo que o movimento hippie dos anos 60 pode ser considerado uma influencia, mesmo que indireta, do furor que o livro de Kerouac causou. Ainda segundo Eduardo Bueno, “nenhum livro deste século terá deflagrado uma revolução comportamental maior do que a obra de Kerouac”.

Bibliografia
Livros:
 WILLER, Cláudio. Geração Beat. Porto Alegre: L&PM, 2009
KEROUAC, Jack. On the road. Porto Alegre: L&PM, 2004
 Sites:
 http://boladafoca.blogspot.com/2009/03/na-batida-de-uma-geracao-beat.html acessado em: 14/06/2009
http://educaterra.terra.com.br/literatura/litcont/2003/09/02/000.htm acessado em: 08/06/2009
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jack_Kerouac acessado em: 13/06/2009
http://www.lpm-editores.com.br/v3/livros/layout_autor.asp?ID=63 acessado em: 13/06/2009

Written by June Smerth

21/06/2009 às 6:38 pm

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