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Jornalismo não levado à sério

Mulheres Descontroladas

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Três jovens mulheres trazem para a dança contemporânea referências musicais e estéticas sobre a falta de controle

 Está em cartaz na Galeria Olido, o novo espetáculo da Cia. Vitrola Quântica, “She’s Lost Control”, o nome é inspirado em música homônima da banda Joy Division, que fez bastante sucesso na década de 80.

 Uma balada noturna qualquer é o cenário. Em cena estão Aline Bonamin, Júlia Abs e Melissa Bamonte. Cada uma assume um instrumento: guitarra, baixo e bateria. Juntas, começam a tocar o denominado “puro rock’n roll”. Durante esses cinco minutos iniciais, as garotas agem como perfeitas rockstars. Após essa estréia, deixam os instrumentos de lado para usar – e testar os limites – do próprio corpo.

 Em certos momentos não passam de simples amigas balançando a cabeça no ritmo da música que passariam despercebidas pela balada. Em outros, tornam-se o centro das atenções. Durante exatos 50 minutos, com seus figurinos roqueiros, o trio se joga no chão, balançam seus corpos contra a parede, sentam e levantam do sofá em poses insinuantes, fazem posições dignas de ginastas.  Lançam olhares e simulam choros que fazem a maquiagem borrar. Tudo ao ritmo da trilha sonora, que além da música que dá nome ao espetáculo, traz o som de outras bandas como Sonic Youth, She Wants Revenge e The Kills.

 Júlia Abs ri e chora ao mesmo tempo, sem deixar que o público entenda exatamente o que está realmente fazendo. Aline Bonamin gira, pula e fica na ponta dos pés. Detalhe: durante toda a apresentação a garota está de patins. No momento mais descontrolado do espetáculo, Melissa Bamonte arranca sua camiseta com a mensagem “I Love Sex” para logo em seguida se despir por inteira. O público continua estático, como se hipnotizados pelo descontrole do trio.

 Para quem quiser conferir de perto, a Galeria Olido fica na Av. São João, 473 – São Paulo. “She´s Lost Control” é apresentado de quinta a sábado, às 20h; e domingo às 19h. O preço do ingresso é R$10.

Written by June Smerth

01/10/2009 at 8:19 pm

Lily Allen em São Paulo

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Lily Allen canta para 4 mil pessoas na capital paulista

 Pela segunda vez no país, a cantora britânica mostra hits do seu mais recente álbum “It’s not me, it’s you”

 

Na última quarta-feira (16), a cantora Lily Allen se apresentou no Via Funchal, em São Paulo, para aproximadamente 4 mil pessoas, um público relativamente grande, já que o show ocorreu no meio da semana e os ingressos custavam entre R$ 120 e R$ 280 reais.

 Lily subiu ao palco pouco depois das 22 horas, iniciou o show com “Everyone´s at it”, música do novo álbum, “It’s not me, it’s you”. Além de apresentar as canções novas, Lily animou os fãs com canções do seu primeiro álbum “Smile”, cuja faixa-título, ao ser cantada, fez o público vibrar com a cantora dançando sensualmente em cima do palco. A cantora também apresentou versões das músicas “Oh My God”, da banda Kaiser Chiefs, e “Womanizer”, de Britney Spears – esta última, a primeira do bis, quando voltou descalça ao palco.

Com um shorts azul curto, uma blusa cinza e sapatos altíssimos, Lily Allen esbanjou sensualidade. Após “Everything’s just wonderful”, Lily tirou a blusa, ficando com uma regata escura que deixava as costas nuas e, ainda, para delírio dos fãs ameaçou mostrar os seios durante o hit “The Fear”. Se na roupa o truque foi nada de excessos, na maquiagem a cantora ousou mais: batom roxo e cores da bandeira do Brasil faziam parte do conjunto.

 

Durante todo o show, a cantora mostrou-se entusiasmada, pulando de um lado para o outro. Devido à vigência da lei anti-fumo, Lily aderiu a um cigarro eletrônico durante a apresentação, revezando este com um copo contendo um líquido meio esverdeado. Sobre o primeiro show feito no Brasil, ano passado, no Festival Terra, a cantora admitiu que “estava muito bêbada”, mas que recompensaria seus fãs. E foi exatamente isso que fez, com uma apresentação cheia de energia, sorrisos, elogios ao público brasileiro – em frases como “You’re fucking brilliant, the best ones” ou em gestos, como ao se enrolar em um pano com imagens da bandeira do Brasil – e uma voz super afinada.

Sempre lembrada por seu jeito ácido e sem papas na língua, Lily fez todos os fãs presentes gritarem o refrão com ela em “Fuck You”, música dedicada ao ex-presidente americano George Bush, momento em que até o mais retraído fã criou coragem para, assim como a cantora, mostrar o dedo do meio para toda e qualquer hipocrisia, seja na música ou na política.

 O público, em sua quase absoluta maioria, era formado por jovens – no máximo, pais moderninhos eram avistados -. Meninos com suas calças justíssimas e camiseta de banda; e meninas com o conjunto vestido vintage e tênis – visual consagrado por Lily – mostravam que sabiam todas as músicas, fazendo um coro que algumas vezes ultrapassava a voz da própria cantora. 

Written by June Smerth

26/09/2009 at 11:27 pm

Na categoria shows

Woodstock

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Maior festival de música da história faz 40 anos

Woodstock reuniu em 1969, em uma fazenda, 400 mil pessoas e é a inspiração do novo filme do diretor Ang Lee, “Aconteceu em Woodstock” 

Apenas uma palavra: Woodstock. Ontem fez exatamente 40 anos que o maior festival de música de todos os tempos foi realizado. Entre  15 e 17 de agosto de 1969, em uma fazenda em Bethel (NY), uma multidão de mais de 400 mil pessoas assistiu ao show de lendas como The Who, Jimi Hendrix e Janis Joplin em meio a lama e no maior e melhor estilo paz & amor já visto.

Ao todo se apresentaram 32 artistas, confira a lista completa clicando aqui. O preço do ingresso era US$ 18, mas a maioria das pessoas literalmente pulou a cerca e entrou de graça no festival. 

De carona na comemoração dos 40 anos do principal festival de música da história, Ang Lee, cineasta conhecido por dirigir “O Segredo de Brokeback Mountain”, entre outros, filmou “Aconteceu em Woodstock”, baseado no livro de Elliot Tiber, o longa concorreu ao Festival de Cannes e sua estreia no Brasil está prevista para janeiro de 2010.

“Durante aquele fim de semana as pessoas trataram as outras com gentileza”, Jon Pareles, crítico do “New York Times” que esteve presente no festival de 1969

 

O cineasta ainda diz que apesar de ter um tom de comédia, ele não pode evitar dar um certo tom melancólico também, já que a liberdade também tem a ver com cortar os laços e de abordar o assunto de uma perspectiva pessoal.

Assim como muitos daquela geração, Ang Lee acha que a “essência otimista” daqueles três dias de shows “se perdeu”, mas vê ecos da era “que iniciou toda a luta pela igualdade dos direitos humanos” na eleição de Barack Obama. Após uma certa indiganação pelo fato do filho ter faltado a aula para ir à posse do novo presidente norte-americano, o cineasta diz que ouviu de um amigo: “É como ir a Woodstock. É um momento histórico. Você tem que participar”.

 

fonte: Folha de S. Paulo

Written by June Smerth

16/08/2009 at 7:02 pm

Na categoria acontecimentos

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Alice in Wonderland

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Tim Burton divulgou as imagens do seu novo filme, “Alice no País das Maravilhas”, que ficará pronto em 2010.

A escolhida para viver Alice foi a atriz Mia Wasikowska, Anne Hathaway é a rainha branca, enquanto Helena Bonham Carter faz a rainha vermelha e Matt Lucas faz o gêmeos Tweedledee e Tweedledum. Johnny Depp fará o chapeleiro maluco. Na foto, a maquiagem incrível e o tom sombrio típico de Burton.

O filme será como uma continuação do livro de Lewis Carrol, pois Alice terá 17 anos. Ela estará vivendo em Oxford e prestes a receber um pedido de casamento, foge e volta ao País das Maravilhas.

Agora, é aguardar até 2010 para conferir!

Para conferir mais fotos, clique aqui.

Written by June Smerth

23/06/2009 at 7:11 pm

Irã

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“Desde a eleição, pelo menos 11 jornalistas iranianos foram presos e não se sabe o paradeiro de 10 deles. “Estamos preocupados com eles, não sabemos onde estão”, desabafou Jean-François Julliard, secretário-geral da organização Repórteres Sem Fronteiras, informando ainda que pessoas que tiraram fotos por celulares também foram presas, assim como reformistas. Informações de Ali Akbar Dareini” [AP, 17/6/09] e de Nazila Fathi e Alan Cowell [New York Times, 17/9/09].

É difícil cobrar um jornalismo sem fronteiras quando a própria população local é obrigada a consentir em silêncio. Mesmo com muitos não aceitando manter silêncio, a situação para o envio de mensagens, vídeos e imagens dos protestos no país é difícil, já que exatamente para evitar o envio, os governantes baixaram a velocidade da conexão a internet.

Mesmo assim, um vídeo despertou a atenção: uma mulher sendo atingida no peito durante manifestação. O vídeo, com cenas fortes, comeveu o mundo inteiro e alertou ainda mais para a grave situação que se instaurou no Irã. Confira:

Abaixo, uma matéria do site UOL:

Neda torna-se mártir da oposição iraniana

O vídeo que mostra uma jovem sendo morta durante os protestos em Teerã tornou-se um símbolo da internet e aumentou a pressão sobre o Irã na batalha contra a imprensa internacional.

O fato e a identidade da jovem no vídeo não podem ser verificados por uma fonte independente. Mesmo assim, fotos da vítima, identificada como Neda (fotos acima), foram usados em manifestações ao redor do mundo: de Istambul, na Turquia, a Los Angeles, nos EUA.

Uma página do Facebook intitulada “Angel of Iran” foi criada em homenagem a Neda. Blogueiros e mensagens no Twitter, o serviço na internet de microblogs, têm chamado a vítima de “Neda: Angel of Freedom” (“Neda: Anjo da Liberdade”, em português).

Um grande número número de usuários do Twitter colocou como imagem de seu perfil a cor verde em solidariedade aos iranianos. A cor verde foi usada pelo candidato da oposição Mir Hossein Mousavi durante a campanha eleitoral. (Com informações da AFP)

Written by June Smerth

22/06/2009 at 6:54 pm

Beat on you

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por Graziela Natasha Massonetto e Renata Loreta Lobo Melo

 

O movimento beat e sua originalidade

O Movimento Beat, ou Beat Generation surgiu primeiramente no final dos anos 40 nos EUA, e foi idealizado por um grupo de jovens intelectuais americanos, como escritores, poetas, dramaturgos e boêmios. O objetivo do movimento era constituir uma literatura mais perto da realidade, uma poesia mais urbana e um estilo de escrever exclusivo, diferente de qualquer outra parte do mundo. Seus principais expoentes foram Allen Ginsberg – O uivo (Howl, 1956) e Kaddish (1960), Jack Kerouac com Pé na estrada (On the Road, 1957), William Burroughs – Junkie (1953) e O Almoço nu (The Naked Lunch, 1959), Gregory Corso – “Marriege” (1960), Gary Snyder – Riprap (1959).   

Kerouac

Kerouac

 O termo Beat passou a existir no período da Segunda Guerra Mundial, e seu significado tinha diversas conotações negativas, como por exemplo, “cansado”, “por baixo” ou “de fora”, mas o principal ícone do movimento, Jack Kerouac, deu significados mais positivos à palavra como, Beatutide e fez também uma associação musical com as batidas do jazz.

 Para Allen Ginsberg “ser beat é ter uma percepção abrangente e uma percepção particular e real da natureza das coisas”. Já para John Clellon Holmes, ser beat é “despir a mente e a alma, optar por reduzir-se ao que é mais básico, no lugar de aceitar a visão convencional de uma América complacente, próspera e homogênea”.

 O início da Beat Generation foi marcado por um recital gratuito na Six Gallery, que ficava perto dos guetos da cidade de San Francisco. O público presente era composto por negros, latinos e imigrantes. Os poemas eram de cunho político e contestador com relação aos acontecimentos da época (EUA no pós-guerra).  Esse evento deu abertura para sucederem novas manifestações. Segundo Gary Snyder, “tivemos a nítida sensação de termos alcançado uma liberdade de expressão, termos nos libertados da Universidade que tanto sufocava os poetas, indo além da tediosa e inútil discussão sobre Bolchevistas versus o Capitalismo que tanto esvaziava a imaginação de muitos intelectuais do mundo”.

 No entanto nesse mesmo momento os EUA viviam uma paranóica comunista, que estava ligada ao contexto de Guerra Fria, e assim, a censura passou a proibir diversos livros que eram considerados subversivos, comunistas e até antiamericanos. Muitas das obras dos autores beats foram a júri, os processos eram divulgados pela imprensa, o que tornava o termo movimento beat cada vez mais conhecido em todo o país, embora poucas pessoas realmente sabiam do que se tratava.

Gary Snyder

Gary Snyder

Em 1958, foi criado outro termo para designar essa geração, era o: Beatnik. O termo foi criado pelo jornalista Herb Caen, do jornal San Francisco Chronicle. O nome fazia menção ao satélite lançado naquela época pela Russia, Sputnik. O que dava à manifestação um caráter de provocação e realmente subversivo naquele momento, uma vez que Rússia e EUA simbolizavam uma antítese entre comunismo e capitalismo.

Com o tempo Beat se tornaria, não só, um estilo literário, apenas apara escrita, mas também era considerado um estilo de vida. A linguagem que o movimento pregava chegou as telas do cinema no filme “Juventude Transviada”. As músicas sofriam influência de grandes estrelas do rock, como por exemplo, Elvis Presley. Sendo que os livros do movimento viriam, mais tarde, influenciar músicas de Pink Floyd, Beatles e Bob Dylan.

Neal Cassady

Neal Cassady

Na próxima década a Geração Beat iria abrir caminhos para a contracultura dos anos 60, na qual muitos Beatnik se tornariam Hippies. Até mesmo o nome Hippie é uma abreviação do termo hipster, muito utilizado por Jack Kerouac em seus livros.

 
Então fica claro que o Movimento Beat foi o precursor para os movimentos contracultura que viriam a surgir mais tarde, dando origem aos hippies (descentes dos beatniks) e até aos punks. Mondando assim um novo modo de fazer revolução, questionar e reivindicar seus direito, a partir deles a história tomou um novo rumo.
 
William Burroughs

William Burroughs

 O ícone do Movimento Beat: Jack Kerouac

Jean Louis Lebris de Kerouac, nasceu em 12 de março de 1922, em Massachusetts. Era de origem franco-canadense, um garoto tímido que em nada parecia com o andarilho dos registros do seu livro mais conhecido, On the Road.

Foi só aos seis anos que Kerouac aprendeu o inglês, antes só falava joual, um dialeto franco-canadense.

Ele estudou em um colégio jesuíta, onde fez parte do time de futebol americano para conseguir uma bolsa de estudos na faculdade. Conseguiu entrar na Universidade de Columbia, mudando-se com toda a família para Nova Iorque. Lá conheceu seus amigos que mais tarde o acompanhariam em suas andanças pelo país, Allen Ginsberg e William Burroughs e Neal Cassady.

A amizade com Cassady foi decisiva para Kerouac decidir colocar o pé na estrada. Juntos, viajaram por sete anos, percorrendo a rota 66, saíram de Nova Iorque e foram até São Francisco. Dessa aventura originou-se On the Road, escrito em 1951, obra considerada a “bíblia da geração beat”. Seu protagonista é Dean Moriarty, pseudônimo criado para representar seu amigo Cassady.

Kerouac inovou a literatura americana, pois “empenhou-se em forjar uma nova prosódia, capturando a sonoridade das ruas, das planícies e das estradas dos EUA, disposto a libertar a literatura norte-americana de determinadas amarras acadêmicas e de um certo servilismo a fórmulas européias (Eduardo Bueno, prefácio de “On the Road”, ed. L&PM, p.11). Sua escrita foi marcada pelo som que introduzia à prosa, cheia de vogais, produzindo uma rima insidiosa. A versão original do livro foi escrita num rolo de papel telex, quarenta metros sem interrupção de escrita por parágrafos, espaços ou virgulas. Apesar do “livro” ter sido escrito em apenas três semanas, demorou seis anos para ser publicado, devido às recusas das editoras. Quando finalmente a editora Viking Press aceitou publicar o trabalho de Kerouac, obrigou o autor a omitir 120 páginas do original, sendo que o editor, Malcolm Cowley, teve que organizar parágrafos, colocar virgulas e pontos finais e separar a história em capítulos, o que tira a espontaneidade que o autor tanto buscou, espontaneidade alcançada em seu livro “Visions of Cody”(lançado pela ed. L&PM no Brasil este mês).

O uso de drogas por Kerouac e seus amigos era comum, sendo que vários escritos de Kerouac foram feitos ao efeito de analgésicos e benzedrina.

Antes do sucesso de seu principal livro, o próprio Kerouac admitiu que fracassara em tudo na vida, porém após alcançar o sucesso, sentiu-se atormentado. De acordo com as palavras de sua namorada na época, Joyce Johnson, “ele estava agitado e com medo, ele também sentia que teria de viver para sua imagem pública, pois todos esperariam que ele fosse como Dean Moriarty ou Neal Cassady, mas ele era só Jack Kerouac”.

Casou-se duas vezes, mas ambos os casamentos acabaram depois de poucos meses de convivência. Mais tarde, casa-se com Stella Sampas, com quem anos mais tarde retorna à casa da mãe.

Em 1958, ele começa a se interessar por budismo, escrevendo o livro com fortes inspirações budistas “The Dharma Bums”, que narra uma escalada que fez com o poeta Gary Snyder.

Foi nessa época que Kerouac se isolou do convívio humano. Em uma atitude extrema, ficou sozinho em uma colina por longos dias, sem nenhuma comodidade como água quente e luz elétrica. Nesses dias solitários, consumia muita bebida alcoólica, sofrendo de alucinações, fato que foi relatado em “Big Sur”, de 1962.

Após essa experiência, ele foi para a casa de sua mãe, voltou a morar com ela em Long Island, afogando-se no conservadorismo católico dela. Em 21 de outubro de 1969, aos 47 anos,  morre de cirrose hepática, a bebida havia se tornado um grande problema em sua vida sedentária após decidir viver em reclusão.

O fluxo ininterrupto de sua “avalanche de palavras, imagens, promessas, ofertas, visões e descobertas”, segundo Eduardo Bueno, tornaram “On the Road” não um livro para apenas um geração, mas para várias gerações. O livro influenciou de Bob Dylan a Jim Morrison, sendo que o movimento hippie dos anos 60 pode ser considerado uma influencia, mesmo que indireta, do furor que o livro de Kerouac causou. Ainda segundo Eduardo Bueno, “nenhum livro deste século terá deflagrado uma revolução comportamental maior do que a obra de Kerouac”.

Bibliografia
Livros:
 WILLER, Cláudio. Geração Beat. Porto Alegre: L&PM, 2009
KEROUAC, Jack. On the road. Porto Alegre: L&PM, 2004
 Sites:
 http://boladafoca.blogspot.com/2009/03/na-batida-de-uma-geracao-beat.html acessado em: 14/06/2009
http://educaterra.terra.com.br/literatura/litcont/2003/09/02/000.htm acessado em: 08/06/2009
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jack_Kerouac acessado em: 13/06/2009
http://www.lpm-editores.com.br/v3/livros/layout_autor.asp?ID=63 acessado em: 13/06/2009

Written by June Smerth

21/06/2009 at 6:38 pm

Entrevista com o mochileiro Paulo Roberto da Silva

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      Paulo Roberto Felipe da Silva, 31, historiador, viaja pelo mundo levando apenas uma mochila desde os18 anos. Já esteve em diversos lugares, como o Vale do Condoriri, na Bolívia, e Machu Picchu, no Peru. Na entrevista a seguir, ele nos conta um pouco sobre suas aventuras e dá dicas para quem pretende pegar a estrada.

Paulo em Machu Picchu

Paulo em Machu Picchu

  Como surgiu a idéia de sai por aí viajando?                                             

Nunca gostei de me sentir preso às rotinas das agências de turismo. Gosto de liberdade total pra viajar, assim sendo, virei mochileiro aos 18 anos de idade.          

 Muitas pessoas saem para estrada com um ideal de busca, de encontrar-se, conhecer novas realidades. Qual sua principal motivação?                                                                                                                              

A minha principal motivação é a beleza natural, principalmente na América do Sul, além de conhecer novas culturas, adoro o intercâmbio cultural que os albergues proporcionam. Como sou andinista (andinismo é o montanhismo praticado nos Andes, na América do Sul), montanhas não faltam por aqui! Estamos perto de casa, nem há necessidade de viagem transoceânica, dá para mochilar e escalar para o resto da vida aqui.             

Aventureiros geralmente possuem grande identificação com obras da literatura, músicas e filmes que tratam de aventuras na estrada. Algum serviu como inspiração para você?                                

Na verdade não, comecei a mochilar muito cedo, não havia visto filmes sobre este tipo de viagem nem lido nada neste sentido. Sou Historiador e por isso só gosto de ler livros acadêmicos. Mas quanto aos filmes, esses sim, são minha grande paixão. Adoro filmes sobre mochilar: “A Praia”; “Na natureza selvagem”, “Diários de Motocicleta”…; porém nenhum deles me inspirou viagens porque eu já estava na estrada anos antes.

  O que sua família achou de ter um integrante andarilho?             

Transferi minha prática de turismo aventureiro mochileiro para minha própria vida.. Abandonei minha cidade natal, Rio de Janeiro, e me mudei pra São Paulo, em 2007. Vendi tudo que tinha e literalmente mochilei para São Paulo levando tudo que sobrou em três mochilas. Meu pai não gostou muito, hoje não fala mais comigo e não vejo minhas irmãs há dois anos, mas elas curtem muito minhas viagens, mesmo a distância.

Quais os lugares mais interessantes em que você já esteve? E os que pretende estar?                                                                                                     

Machu Picchu foi um marco em minha vida. Esperei por 15 anos para estar lá. Passei fome, frio, acampei na rua, peguei caronas, andei por dois dias na Bolívia, por conta de um bloqueio. Faria tudo de novo. O Vale do Condoriri também foi muito especial. Acabei de voltar de lá. Fui mochilando só para escalar e passei três dias incríveis nesse lugar maravilhoso e praticamente rupestre. Existem famílias que vivem lá, no vilarejo de Tuni a 4.400 msnm, vivendo da terra. Foi incrível. Pretendo visitar o Equador no próximo ano, pois lá pretendo escalar o Chimborazo, montanha mais alta do país. Também quero dar uma passada nas Ilhas Galápagos. Tenho tantos objetivos! (risos)

  Sobre as pessoas que você conheceu em suas andanças, quais as suas impressões, o que você aprendeu com elas?                                                                                                                                           

São todos aventureiros plenos! Conheci gente de pelo menos 35 países diferentes. Fiz muita amizade. Aprendi com eles o mesmo que aprenderam comigo: não vale a pena ficar em casa se lamentando do que não fez. Melhor é preparar a mochila e simplesmente ir! Para onde? Só o vento dirá! Essas amizades feitas na estrada tornaram-se duradouras? Pelo menos cinco ou seis, sim. Mantenho contato firme e constante com uma amiga da Noruega, duas americanas, dois amigos israelenses, que talvez me visitem aqui em São Paulo semana que vem, e pelo menos mais uns 30 brasileiros que conheci dentro ou fora do território nacional. Qual foi a viagem mais marcante? Por quê? Com certeza a mochilada de 2007, com o roteiro Bolívia – Peru – Chile – Bolívia. Foi absurdamente cultural, estressante, excitante, marcante, realizadora, memorável. Vi coisas que não imaginava existir, belezas naturais indescritíveis. Por isso repeti tudo esse ano (risos).

Em toda viagem há momentos desagradáveis. Quais foram seus piores momentos? E os melhores?                                                                        

O pior momento foi ter que caminhar dois dias em Cochabamba, na Bolívia, por conta do bloqueio que peguei por lá. Eu estava com um tersol horrível, parecia Rocky Balboa em “Rocky II, a revanche”. Caminhei com um desnível de 2000 msnm até 4.496 msnm em uma montanha em Cochabamba, foi tenso… Já os melhores foram todo o resto! Os passeios, principalmente a gastronomia. Acredito que mochilar, ou mesmo viajar em geral, trata-se de conhecer a cultura e a gastronomia do lugar visitado. E eu adoro comida diferente. Atingir meus objetivos também foi sensacional.

Muitos mochileiros dizem que a sensação de liberdade que essas andanças pelo mundo proporcionam, acabam mudando o ponto de vista, o objetivo de vida das pessoas. Você sentiu essa mudança?                                                                                                                            

Sim. Passei a observar a nossa América do Sul com olhos diferentes. É impressionante como o brasileiro é adorado fora do país, e visto como vizinho rico – e acredite, somos!-.  Fiquei fascinado ao ver que a simplicidade, a ausência de muita tecnologia e promiscuidade podem tornar um povo muito receptivo e até mesmo mais saudável. De uns anos pra cá parei de beber, procurei me alimentar melhor, e abdiquei de muitas coisas materiais que julgava necessárias, como televisão, hoje em dia não tenho uma em casa. Não sinto necessidade.

Como fica a vida após o retorno para casa?                                         

Nostálgica. Sinto saudades de cada minuto fora de casa. A estadia em casa se torna uma contagem regressiva para a próxima viagem. Como faço pelo menos duas mochiladas por mês dentro do território nacional para escalar, não fico muito frustrado. Aliás, faltam 10 meses para minha próxima incursão internacional.

  Confira as dicas do Paulo:

Muita gente acha que mochilar é muito perigoso, mas não é…

  •  Sempre leve mais dinheiro do que acha que vai precisar. E um cartão de crédito internacional também é bom;
  •  Não dê bandeira com dinheiro em volume nas mãos. Mantenha a grande quantidade em um money belt  (porta documentos e dinheiro para cintura, usado geralmente por baixo da roupa como medida de segurança em viagens ou no uso diário) e os trocados nos bolsos para despesas pequenas. Precisando pagar algo mais caro, peça pra ir ao banheiro antes de pagar e então terá privacidade para mexer no seu money belt;
  •  Sempre tenha consigo uma barraca, um isolante térmico e um saco de dormir. Crises sociais acontecem e se você for pego em uma delas, pelo menos não precisará dormir ao relento;
  •  Sempre combine o preço da corrida de táxi antes de entrar, irá evitar aborrecimentos assim;
  •  É interessante levar alguma comida brasileira para momentos de muita saudade. Hoje em dia há muita coisa pronta desidratada (comida liofilizada) ou enlatada (que não é muito bom porque significa muito peso), isso pode dar uma boa moral ao estômago em horas de baixo astral;
  •  Seja sempre cordial, dê gorjetas;
  •  Em casos de problemas de saúde, tenha consigo um kit médico básico para emergências;
  •  Aprenda o básico de comunicação da língua do país, mas não se preocupe em ficar perfeito, pois estando lá, você acaba aprendendo;
  •  Se passar por algum problema sério, não entre em pânico, seja racional e aja depois de pensar em uma solução. Entrar em colapso não irá resolver a sua situação, e poderá colocar em risco a integridade de algum amigo ou amiga que esteja contigo também.

Written by June Smerth

06/06/2009 at 10:41 pm

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